Estados Unidos ou Irã: de qual lado o Brasil fica?

Autor: Victoria Hoff

*As opiniões apresentadas nesta coluna são exclusivamente do autor e não representam a linha editorial do portal.

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Para entender um pouco melhor o conflito, é necessário compreender o contexto no qual a “guerra” se insere. O Irã, país considerado rival dos Estados Unidos por décadas devido a intervenções americanas no Oriente Médio, é um país muçulmano de maioria xiita e inimigo de vários países na região, como Arábia Saudita e Israel, dois grandes exportadores de petróleo. Além disso, o Irã também é responsável por financiar, no Iraque, algumas milícias que formam as Forças de Mobilização Popular.

Em 2015, foi assinado um tratado pelo governo Obama chamado de “Acordo Nuclear”, no qual, em suma, os países participantes entraram em acordo de paz para o não enriquecimento de urânio e supervisão da ONU, em troca do fim das sanções econômicas sob o Irã. Com o início do governo de Donald Trump, os Estados Unidos se retiraram do acordo com a justificativa de não envolvimento em conflitos no Oriente Médio, gerando certa “tensão” entre o Irã e o país. Nesse sentido, a rivalidade entre os países aliados americanos (Israel principalmente), e Irã aumentaram ainda mais. A dualidade entre esses países se deriva não somente pelos conflitos armados, mas também por questões religiosas e econômicas. Com o fim do tratado nuclear, a principal fonte de renda do Irã (exportação de petróleo) caiu drasticamente, e por consequência o país sofreu diversas baixas. Além disso, a presença militar americana em rolo iraniano sempre foi um problema para a “independência” e soberania do país.

Tirado de: UH Noticias Internacional

No fim de 2019 houveram alguns conflitos na embaixada americana em Bagdá, matando um cidadão americano. Segundo o Pentágono, o Irã estava por trás da ação, motivado principalmente por ser uma resposta indireta a um ataque americano na fronteira com a Síria, que matou 25 combatentes das Forças de Mobilização Popular do Iraque.

Em janeiro de 2020, o estopim para o atual conflito entre Estados Unidos e Irã foi a morte do General Qassam Soleimani, principal ornamentador das estratégias militares do país, em defesa dos Estados Unidos aos cidadãos americanos. Segundo os EUA, Soleimani, considerado terrorista e apoiador do grupo Hezbollah (Líbano), desenvolvia planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda região.

E onde o Brasil entra nisso?

Tirado de: Brazil Monitor

O posicionamento brasileiro realizado em nota pelo Itamaraty, sem divulgação explícita sobre a morte do general, confirma apoio à luta contra o terrorismo e demonstra cooperação com toda a comunidade internacional. Além disso, o Brasil informou estar “igualmente pronto para participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada” no momento atual. Em sua política externa, o país não se mostra indiferente às ameaças terroristas que afetam toda a América do Sul e demais países aliados brasileiros. Segundo o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o Brasil mostrou posição de se aliar a qualquer país do mundo no combate ao terrorismo, defendendo o posicionamento de Trump no conflito. “Nós sabemos o que em grande parte o Irã representa para os seus vizinhos e para o mundo”, declarou Bolsonaro em crítica ao país oriental.

Além do Brasil, foram pedidos esclarecimentos por parte iraniana para a Suíça e para a Alemanha, que também saíram em defesa americana. Na prática, o impacto no Brasil por conta do conflito foi diretamente nos preços de combustível, devido à enorme quantidade de importação do petróleo por parte iraquiana.  Por consequência, empresas aéreas brasileiras tiveram quedas e a bolsa no geral sofreu uma decadência nas ações.

Tirado de: Al Mayadeen

Em resposta ao ataque americano a Soleimani, o governo iraniano declarou “morte à América” queimando a bandeira estadunidense e ainda declarou que o enriquecimento de urânio para armamento nuclear será desenfreado nesse momento. Apesar de o país ter suas forças limitadas, o momento político atual não é dos mais favoráveis para uma possível guerra entre países. Nesse sentido, é interessante para o Brasil sair em defesa dos Estados Unidos, tanto por proximidade política entre os países, afinidade em políticas externas e religiosas quanto por se aliar ao lado mais forte em caso de uma disputa armada. Além disso, existem diversos acordos políticos entre o Brasil e os Estados Unidos que favorecem a população brasileira de inúmeras formas. O contexto de defesa americana, portanto, é plausível em todos os sentidos. Apesar de estar distante de uma guerra em si, essa dualidade entre América e países rivais dos Estados Unidos reforça uma aliança política de apoio e cooperação antiterrorismo e busca pela paz, principalmente em um tempo tão conturbado e turbulento entre relações diplomáticas.

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