Mandetta: o homem que desafiou o diabo

Autor: Sebastián Narváez Medina

Twitter: @Snarvaez_
Instagram: @Snarvaez__

*As opiniões apresentadas nesta coluna são exclusivamente do autor e não representam a linha editorial do portal.

A ideologia da direita é o meu guia. Até os meus leitores mais leais podem atestar que sou caracterizado por defender ideais anticomunistas, procurando apontar aqueles que procuram enriquecer as custas de empobrecer ainda mais os pobres; a esquerda. No entanto, em qualquer processo para aperfeiçoar as ideias que nos definem, precisamos de tempo para autocrítica. Acima de tudo, que a transparência da caneta e da página prevaleça, especialmente quando as vidas humanas estão envolvidas. Dessa vez, vejo-me na obrigação infeliz de apontar o presidente Jair Bolsonaro e suas decisões sérias que levaram o Brasil ao caos absoluto; um claro fracasso patrocinado pela teimosia de um vaidoso. Algumas semanas atrás, em outra coluna de opinião, descrevi Andrés Manuel López Obrador como um genocida, mas, hoje parece haver vários na região, sem distinção de linhagem política.

No final de março, Bolsonaro se manifestou dando declarações impensadas e imprudentes sobre a atual pandemia. Ele não apenas a desqualificou com leviandade, mas ficou um pouco desconfortável e irritado ao falar com as pessoas, com arrogância, no qual terminou desdenhando da morte.

Quem me conhece, dirá que não sou a melhor pessoa para falar de ego, pois não tenho o dom da humildade; no entanto, passada algumas semanas de autonegação, conclui que: independentemente de nós concordarmos com a mesma linha política, o ego e o narcisismo de Jair Bolsonaro é olímpico, seu interesse pessoal prevalece e não o bem-estar de muitos a mercê da tragédia. Isso não significa que eu pare de apoiar grande parte das suas políticas governamentais, mas em reverência aqueles que pagam seu salário presidencial, sou obrigado a dizer as coisas como elas são. Até posso afirmar que na maratona do ego, Bolsonaro levaria a medalha de ouro, pisando no presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Não se compreende como uma pessoa com os conselheiros do mais alto nível e um país com os centros científicos mais desenvolvidos da América Latina é levado a um estado parcial de desgraça. Bolsonaro está interessado na economia, mas, não é necessário um processo algorítmico para concluir que essa atividade só se recupera quando: as pessoas param de circular, a emergência desaparece, também o pânico financeiro e a pandemia passa a ser o jornal de ontem. Nesse ritmo, não me surpreenderia que o Brasil ficasse no confinamento quando o mundo globalizado reabrisse.

Tomado de: Infobae.com

Aparentemente, o rei também pretendia envenenar seu bispo e exonerá-lo; mas se arrependeu a tempo. Circulou uma comunicação do presidente Bolsonaro que comunicava a demissão do seu ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, por atrapalhar o seu plano genocida e promover a ordem de confinamento global da OMS (Organização Mundial da Saúde). Mesmo que largar um general no meio da guerra seja um absurdo, é ainda pior tentar exilar um aliado político de tal magnitude para o governo. Mandetta, um feroz oponente da esquerda, não só levou milhares de votos para colocar Bolsonaro no poder, mas também tem um relacionamento colossal com a maioria dos prefeitos e governadores do país.

Toma de: TelesurTv.net

A ingenuidade e talvez a ignorância do Bolsonaro afetaram sua imagem política, mas, poderia ter sido ainda pior que ele tivesse demitido Mandetta. Um anjo caído do céu, aparentemente chamado Walter Braga Netto, teria sido quem iluminou de maneira esplêndida a demência egocêntrica do presidente. No entanto, o bispo também fez a sua parte, o ministro da saúde não perde tempo e revela seu oportunismo político, enfatizando que esta do lado dos governantes e acima de tudo, dos cidadãos. Eu não ficaria surpreso se esse lucro lhe desse um assento nas próximas eleições presidenciais.

Como cordeiro na fila de abate é assim que muitos brasileiros se parecem, que segundo Bolsonaro, deveriam se sacrificar a serviço da economia do país, que passa por um coma temporário. Até certo ponto, é compreensível que haja disputas internas nos gabinetes do governo, mas que um presidente contrarie todas as previsões globais, ignorando os padrões de comportamento de seus estados vizinhos expondo seu eleitorado ao dia a dia, é total anarquia.

O isolamento que Bolsonaro pretende executar é errado, um isolamento econômico bruto. O Brasil é o único país da América Latina que ainda tem mais de 80% da sua atividade econômica, contrariando a opinião internacional, podendo sofrer prejuízos fiscais no futuro; não haverá ninguém para salvá-los. Para o comércio internacional será mais viável fechar as portas daqueles que não seguem o protocolo adequadamente, ao invés de expor seus cidadãos a um segundo round da pandemia.

Na sexta-feira passada, o presidente foi visto nas ruas de Brasília, posando para as fotos e mobilizando desnecessariamente multidões. Será que ele também comparecerá aos funerais de milhares de brasileiros? A oposição política se tornou praticamente obsoleta, já que Jair Bolsonaro é seu próprio inimigo e ele próprio se encarrega de manchar os aspectos positivos do seu governo. Sem dúvida, se não fosse o seu ministro da saúde, a situação seria ainda mais precária.

Tomado de: Infobae.com
Tomado de: Prensa-latina.cu

Diante do exposto, nós que promovemos um exercício político airoso, devemos fazer um bom uso da autocrítica, especialmente quando falamos daqueles que concordam com nossos pensamentos e políticas públicas. É assim que a diferença é feita. Além disso, a crise mundial é uma situação que não distingue entre ricos ou pobres, nem direita nem esquerda, apenas leva a vida de muitos ao descanso eterno. Desde o topo do capitalismo, sempre defendemos a vida como eixo fundamental do estado e da economia, ou seja, não há dinheiro para pagar pelo genocídio que está se formando no Brasil, México, Nicarágua e outros países da região. Essa mesma defesa da vida e dos direitos é o que nos permite usufruir do livre mercado das nossas economias; e é ainda mais importante defender os necessitados, que são a alma desse sistema de produtividade e progresso. Agora não é hora de fechar os olhos, vamos salvar o Brasil do inferno.

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión /  Cambiar )

Google photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google. Cerrar sesión /  Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión /  Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión /  Cambiar )

Conectando a %s