Os três presidentes que estragaram meu café da manhã

Autor: Sebastián Narváez Medina

Twitter: @Snarvaez_
Instagram: @Snarvaez__

*As opiniões apresentadas nesta coluna são exclusivamente do autor e não representam a linha editorial do portal.

Que chegue o dia em que a política não seja a espinha dorsal da minha coluna. Difícil. Seria interessante falar sobre outras coisas como esportes ou cultura. Nem sempre pretendo atacar majestades públicas, mas há muitos que com suas ações deixam os colunistas sem opção. No início desta semana alguém me telefonou e disse: “Sebastian sensibiliza sua língua, nem tudo tem que ser política”. Embora devamos ouvir os leitores, não podemos ser sensibilizados pela agonia de ter que viver com personalidades, cujas decisões vão contra os princípios fundamentais da vida. Dada a minha impotência em decidir uma das muitas, nesta semana trago três breves opiniões que tornaram meu café da manhã amargo.

Vamos começar com o café da manhã de hoje, azedo em fato. Não é segredo para ninguém que desde o início de seu mandato, apoiei a campanha de Jair Bolsonaro. Que a pandemia pela qual estamos passando e as loucuras do governo Bolsonaro não nos fazem esquecer que foi a esquerda de Lula e Dilma que empobreceu e corrompeu um dos países mais ricos do continente. Mas, além das minhas preferências políticas, tenho um senso de moralidade e honra que não me permite continuar apoiando o genocídio perpetrado no Brasil. É por isso que também não me atrevo a sensibilizar minha língua. Dos criadores de “vamos combater o Covid-19 com injeções antibacterianas” vem uma decisão do Plano Alto que pede o uso de cloroquina para acabar com esta crise. A situação é tão critica que o ministro da saúde, nomeado duas semanas atrás, hoje é história.

Uma séria de decisões está sendo tomadas no Brasil que não há Deus ou lei que perdoe. Ouvi dizer que a cloroquina funcionou em alguns pacientes, mas não na maioria, e que seus efeitos colaterais podem ser ainda mais prejudiciais. Uma solução que não tem nenhum suporte científico diante da situação que enfrentamos, apenas o apoio de alguns líderes mundiais que lutam por sua popularidade. Para ter certeza, consultei a pesquisadora Natália Ferreira de Araújo, epidemiologista da Universidade Federal de Viçosa em Minas Gerais, onde afirmou que não se refuta ciência com mera opinião, no qual não se tenha base científica. Ainda afirmou que vários estudos científicos mostraram não ter havido eficácia no uso da hidroxicloroquina. Ela disse que se as pessoas não colocarem a ciência como um pilar robusto e inquestionável na condução de decisões importantes para a humanidade, essas crises irão deixar sempre uma grande lição. Claro que boas ideias impactam no planejamento e melhoria contínua de todos os produtos do mercado, mas o grande desafio é gerar ideias úteis e que tenham fundamento, para que se chegue a uma conclusão científica, através de pesquisa e não achismo.

O segundo que tem o suco gástrico no meu pescoço é o contrarrelógio em que o presidente da Argentina, Alberto Fernandez, se encontra. Dada a precária situação econômica do país, ele tem sete dias para renegociar com os devidos em Nova Iorque. O mesmo Alberto Fernandez, ministro da Economia do governo de Cristina Fernandez, hoje governando por ela, instou na recuperação de todo o dinheiro roubado durante este mandato. Um escândalo que incendiou os argentinos. Em caso de dúvida, espero que este seja um ensinamento para a vida de todos, quando você é um ladrão a própria vida te coloca em problemas. A situação mais complexa é que se não fosse possível renegociar a dívida, o país entraria em um padrão econômico irreversível. Embora não seja surpreendente, isso foi feito pelos governos de esquerda no continente, acabando com a riqueza e deixando os poderes em falta. É imperativo que a Argentina renegocie sua dívida, que corresponde a 93% do PIB, para evitar inadimplência. Sei que pareço mais preocupado com as dívidas da Argentina do que com as minhas, mas, como sempre me preocupo mais com o bem comum.

Tomado de: El cronista
Tomado de: Infobae

Quando li a terceira eu já havia deixado cair minha xícara de café. Na Venezuela tudo é como um filme de ficção. Nesta semana foi revelado que o Irã continua exportando petróleo refinado para a Venezuela e que Nicolas Maduro continua exportando barras de ouro para o Irã, pagando por um silêncio sem sentido. É do conhecimento público quem é Nicolas Maduro e nunca imaginamos que houvesse um traficante de drogas pior do que Pablo Escobar, mas existe. Tudo tem uma explicação para a situação na Venezuela, exceto isso. É incompreensível que o país com mais petróleo do continente carece de infraestrutura para refinar. Como consequência, eles exportam riqueza para o Meio Oriente, enquanto as pessoas morrem de fome nas ruas. Toda vez que penso que a situação na Venezuela não vai piorar, algo novo acontece, algo que não está previsto por ninguém. Mas, a partir de agora, não me surpreenderia que Maduro anuncie a reconquista da América ou a invasão dos Estados Unidos. De qualquer jeito, a Venezuela e seu povo devem nos preocupar mais do que as dívidas da Argentina ou as loucuras de Bolsonaro. Sinto-me tão desamparado que as vezes sonho pertencer a uma milícia paramilitar que traz vida de volta a esse país.

Espero que o artigo explique brevemente por que o café da manhã foi amargo. Meus pensamentos são mais dispensáveis do que a fome de acordar. A única coisa que me fará sensibilizar a língua será me queimar com a xícara de café ou me morder com os ovos beneditinos. Se meus leitores querem que eu fale sobre cultura e esportes, eu entendo, mas não cabe a mim. É responsabilidade de personalidades como Bolsonaro, Maduro, Fernandez, que estão sempre tomando decisões sem me consultar. Pelo menos Bolsonaro, porque nem Fernandez nem Maduro seriam atendidos pelo telefone. Deixe-os falar com meu advogado, não falo com criminais. Amanhã é sábado, espero não tornar meu café da manhã amargo com os bárbaros que matam a população, mas enquanto o fizerem, não vou desligar essa tribuna.

Un pensamiento

  1. Prezado Sebastian,
    Parabenizo-o pelo excelente e mui bem escrito artigo e corroboro com a vossa opinião. Oxalá os nossos desjejuns possam ser, senão doces, ao menos menos amargos em um futuro breve.
    Forte abraço !

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